A Assembleia Legislativa de Minas Gerais opera um ecossistema digital amplo: portais de votações, plataformas de treinamento e outros sistemas institucionais, cada um com público, finalidade e equipe responsável diferentes. O desafio não era instalar uma ferramenta de analytics — era fazer com que dez operações independentes passassem a medir a mesma coisa, do mesmo jeito, com dado em que se pudesse confiar.
O desafio
A instituição precisava de dados confiáveis para a tomada de decisões. Os portais de votações, treinamentos e demais sistemas não ofereciam informações com total confiabilidade — e, quando o dado não é confiável, ele deixa de ser usado. O efeito prático é uma instituição inteira decidindo por percepção, com relatórios que existem mas ninguém leva a sério.
Na auditoria inicial, o quadro era o esperado em ambientes que cresceram por adição, com sites criados em momentos diferentes por equipes diferentes:
- Cada site medindo à sua maneira. Sem padrão comum de eventos, o mesmo comportamento recebia nomes diferentes em cada portal — o que torna qualquer comparação entre sistemas impossível.
- Números que não fechavam entre si. Somar os relatórios não produzia um total confiável, porque cada base contava de um jeito.
- Ausência de governança. Sem definição clara de quem acessa o quê, o dado ou fica trancado com poucas pessoas ou circula sem controle. Em órgão público, nenhuma das duas situações é aceitável.
- Exigência redobrada de conformidade. Tratando-se de uma instituição pública, segurança da informação e LGPD não são boas práticas desejáveis: são requisito de partida.
A solução
Tratamos o projeto como implantação de infraestrutura de dados, não como instalação de ferramenta. Isso significa que a maior parte do trabalho aconteceu antes de a primeira tag ser publicada — definindo o padrão que os dez sites teriam de seguir.
- Auditoria técnica dos 10 sites. Levantamento do que já existia em cada ambiente: tags ativas, tags órfãs, duplicidades e lacunas de medição.
- Definição do padrão de eventos. Um dicionário único de nomenclatura, válido para todos os sistemas, para que o mesmo comportamento tenha sempre o mesmo nome — a decisão que sustenta todo o resto.
- Implementação do GA4 integrado ao GTM. Estruturação dos containers, gatilhos e tags seguindo o padrão definido, com organização que permite manutenção por diferentes equipes.
- Governança de dados e acessos. Definição de permissões por setor, respeitando segurança da informação e conformidade com a LGPD.
- Validação rigorosa do tracking. Conferência de cada disparo, site a site, antes da publicação — a etapa que separa um tagueamento confiável de um que só parece funcionar.
- Dashboards por setor. Construção de painéis personalizados, com os indicadores que cada área realmente usa para decidir.
Tagueamento em órgão público não é o mesmo trabalho que em e-commerce. São dez sites com times, finalidades e níveis de sensibilidade diferentes, e todos precisavam falar a mesma língua de dados. O que garantiu o resultado não foi a ferramenta — foi ter definido o padrão de eventos e a governança antes de instalar a primeira tag.
Fundador da Agência Carti · especialista responsável pelo projeto
O resultado
Dashboards personalizados com acesso em tempo real aos indicadores de cada setor. O projeto foi concluído dentro do prazo, com total satisfação do cliente.
- Uma base comparável. Com padrão único de eventos, passou a ser possível comparar desempenho entre os dez sistemas — algo que antes simplesmente não existia.
- Autonomia por setor. Cada área acessa seus próprios indicadores em tempo real, sem depender de solicitação a terceiros para obter um número.
- Decisão sustentada por dado. O relatório deixou de ser peça de arquivo e voltou a ser insumo de decisão, porque passou a ser confiável.
- Conformidade preservada. Toda a coleta estruturada dentro dos requisitos de segurança da informação e da LGPD.
Por que um projeto de setor público é diferente
Vale explicitar o que torna este case distinto de uma implementação comercial, porque é justamente aí que está a dificuldade técnica.
- Não existe "a gente ajusta no próximo trimestre". Instituições públicas operam com ciclos e processos formais. O que é implantado precisa nascer certo e durar.
- O dado é público e sensível ao mesmo tempo. Há dever de transparência e dever de proteção convivendo no mesmo sistema, e o tagueamento precisa respeitar os dois.
- Múltiplas equipes, sem hierarquia comercial única. Dez sites significam dez conjuntos de responsáveis. O padrão precisa ser bom o bastante para ser adotado por consenso técnico.
- A conformidade é o piso, não o teto. LGPD e segurança da informação são premissa de projeto, não item a ser resolvido depois da entrega.
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