Consultoria vende uma promessa que o cliente só consegue verificar depois de contratar. Isso coloca um peso incomum sobre a marca: antes da primeira reunião, ela é praticamente a única evidência disponível de que aquela empresa sabe organizar as coisas. Uma consultoria de eficiência com comunicação desorganizada contradiz o próprio serviço.

O cliente

A Kava é uma consultoria operacional que atua em eficiência e logística: planejamento estratégico e redução de custos, modernização de processos com uso de tecnologia, melhoria de eficiência, treinamento e desenvolvimento de lideranças, mapeamento e padronização de processos.

É um serviço de alto valor e ciclo de decisão longo, em que o comprador é uma empresa que precisa confiar o próprio processo interno a um terceiro.

O desafio

O ponto de partida era direto: o cliente precisava de um nome e de uma nova identidade visual. Por trás disso havia um problema mais específico do setor — consultoria é uma categoria em que quase todas as marcas se parecem, feitas de iniciais em azul-escuro e formas geométricas neutras.

O risco de seguir esse padrão não é estético: é comercial. Marca genérica obriga a empresa a explicar quem é em cada contato, em vez de ser reconhecida.

A solução

O naming resultou em Kava — curto, com duas sílabas, escrito como se fala e sem carregar termo técnico. Num setor cheio de nomes compostos e descritivos ("consultoria em gestão e processos"), um nome breve destoa por contraste.

O símbolo trabalha a letra inicial em volumes que se sobrepõem, com degradê que remete a movimento — uma escolha alinhada ao que a consultoria vende: coisas saindo do lugar, processos avançando. A marca sugere transformação sem precisar recorrer a seta ou engrenagem, que são os clichês da categoria.

A paleta combina azuis, cinzas e laranja. Os azuis fazem o trabalho conhecido de evocar confiança, e os cinzas dão a sobriedade que o comprador corporativo espera. O laranja é a decisão que diferencia: entra como acento, quebra a seriedade sem comprometê-la e é o que faz a marca ser lembrada num mercado inteiro pintado de azul.

Do logo ao sistema

O projeto não parou no símbolo. A identidade foi desdobrada em um sistema completo: papelaria, cartão, apresentação, crachá e um site institucional que organiza os serviços de forma legível para quem está avaliando fornecedores.

Esse desdobramento é o que separa um logo de uma identidade. Em consultoria, a marca é vista principalmente em documentos — proposta, relatório, apresentação — e é nesses materiais que ela precisa transmitir método.

O mesmo sistema em papelaria e web: o grafismo de linhas amarra as peças sem depender de repetir o logo em tudo.

O resultado

Uma identidade visual coesa, aplicada em site e materiais gráficos, transmitindo segurança e profissionalismo — com a marca sustentando, na primeira impressão, a mesma organização que a consultoria promete entregar.

O que este case ensina sobre marca de serviço

  • Em serviço, a marca é a prova antecipada. Antes da reunião, ela é a única evidência de competência que o cliente tem.
  • Coerência é argumento. Consultoria de eficiência com material desorganizado contradiz a própria oferta — e o comprador percebe.
  • Uma cor de acento resolve a diferenciação. O azul dá o pertencimento à categoria; o laranja garante que a marca não seja confundida dentro dela.
  • Sistema vale mais que logo. O que sustenta a percepção é a papelaria, a proposta e o site — não o símbolo isolado.

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