Todo produto que conecta dois lados enfrenta o mesmo dilema na home: falar com quem oferece ou com quem procura? Escolher um afasta o outro; falar com os dois ao mesmo tempo produz um texto morno que não convence ninguém. A Vaggou tinha exatamente esse problema.
O cliente
A Vaggou é uma startup de software de recrutamento e seleção. A plataforma serve às empresas que precisam contratar e às pessoas que procuram vaga — dois públicos que chegam ao mesmo site com perguntas opostas.
O candidato quer saber se ali existem vagas para ele e se o processo será respeitoso. A empresa quer saber se a ferramenta reduz o tempo de contratação e melhora a qualidade da triagem. São conversas diferentes, com vocabulário e urgência diferentes.
O desafio
O cliente precisava de uma solução digital com identidade própria para se apresentar ao mercado. Numa categoria em que praticamente todos os concorrentes usam o mesmo azul corporativo e as mesmas fotos de reunião, "identidade própria" era um requisito comercial, não estético.
A solução: a home como bifurcação
A decisão estrutural do projeto foi assumir a divisão em vez de disfarçá-la. A primeira tela oferece dois caminhos explícitos — “Sou candidato” e “Sou empresa” — em blocos de peso visual equivalente, cada um com sua cor.
Isso resolve três coisas de uma vez: elimina a mensagem genérica, encurta o caminho de cada pessoa até o que ela veio buscar e transmite, em um segundo, que a plataforma serve aos dois lados — informação que um texto levaria um parágrafo para dizer.
Da bifurcação para baixo, o site desenvolve os dois discursos em blocos próprios: para a empresa, atração de talentos, gestão do processo seletivo e acerto na contratação; para o candidato, acesso a vagas de todo o Brasil, acompanhamento das etapas e transparência no retorno.
A identidade
O sistema visual foge do padrão do setor com uma paleta multicor — azul, laranja, verde e amarelo — organizada por formas em losango e setas que sugerem encontro e direção. A escolha tem função: em uma categoria onde todo mundo é azul e sóbrio, cor é o que faz a marca ser reconhecida numa aba do navegador.
O processo foi colaborativo do layout à publicação, com o cliente participando das decisões em cada etapa — formato que funciona particularmente bem em produto digital, onde quem opera conhece objeções que não aparecem em briefing.
A página inteira: depois da bifurcação, cada público recebe seu próprio bloco de argumentos, com vídeo e chamadas separadas.
O resultado
Um site completo, com layout profissional e otimizado para conversões — com caminhos distintos e mensuráveis para cada público, em vez de um formulário único que trata todo visitante como a mesma pessoa.
O que este case ensina sobre produto de dois lados
- Assuma a bifurcação. Esconder que existem dois públicos produz uma home vaga. Mostrar os dois caminhos é mais honesto e mais rápido para quem chega.
- Peso visual igual comunica posicionamento. Se um lado é maior na tela, o visitante conclui que o outro é secundário — mesmo que ninguém tenha dito isso.
- Cor é diferenciação barata em setor sóbrio. Quando a concorrência inteira é azul-corporativo, sair da paleta padrão é a decisão de marca de maior retorno.
- Design colaborativo encurta o retrabalho. Quem opera o produto conhece as objeções reais do cliente — e elas raramente cabem no briefing inicial.
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