Existe uma diferença enorme entre vender algo que as pessoas procuram e vender algo que elas nem sabem que podem contratar. No primeiro caso, você disputa preço. No segundo, precisa primeiro ensinar que o problema existe — e o site deixa de ser vitrine para virar material didático.

O cliente

A Seguro de Barco é uma corretora especializada em seguros náuticos: jet ski, barcos de alumínio, lanchas, bass boats e yachts. Um nicho específico dentro de um mercado — o de seguros — que a maioria das pessoas só procura quando é obrigada, como no caso do automóvel.

O desafio

O problema declarado pelo cliente era direto e incomum: comunicar aos donos de embarcações que é possível contratar seguro náutico — algo que muitos desconhecem.

Isso muda tudo no projeto. Quando ninguém procura pelo produto, não adianta ter a melhor página de comparação de coberturas: o visitante não chegou querendo comparar. Ele chegou sem saber que a categoria existe, e sai da página em segundos se ela começar falando de apólice.

A virada: segmentar por embarcação, não por cobertura

A decisão central do site foi organizar a navegação por tipo de embarcação — jet ski, alumínio, lancha, bass boat e yacht — em vez de por tipo de cobertura, que é como o setor de seguros costuma se organizar.

A lógica é simples: o visitante não se identifica como "cliente de seguro náutico"; ele se identifica como dono de um jet ski. Ao encontrar uma página feita para a embarcação dele, com a foto certa e os riscos que ele reconhece, a conversa deixa de ser genérica e passa a ser sobre o barco que está na garagem dele.

Essa escolha resolve também o problema de busca: quem eventualmente pesquisa o assunto pesquisa pelo nome da embarcação, não pelo nome técnico do produto.

O simulador de cotação

A segunda decisão foi integrar um simulador de cotação ao site. Num produto que a pessoa desconhece, a primeira dúvida nunca é sobre cláusula — é sobre preço. E enquanto a única resposta disponível for "fale com um especialista", a maior parte dos interessados desiste antes de perguntar.

O simulador troca uma barreira por um passo. Ele dá ao visitante uma estimativa imediata, sem depender de horário comercial, e entrega à corretora um contato já qualificado — alguém que informou o tipo de embarcação e demonstrou intenção real.

Segmentação por embarcação na home e ilustrações náuticas próprias no institucional — em vez de banco de imagens genérico de seguro.

A identidade

O logo combina elementos aquáticos com um degradê em tons de azul, construindo a sensação de segurança que o setor exige sem recorrer ao vocabulário visual batido de escudo e cadeado.

O site recebeu ilustrações personalizadas — traços náuticos como cabos e elementos de navegação — que cumprem uma função concreta: diferenciar a marca num mercado onde todos os concorrentes usam as mesmas fotos de banco de imagens.

O design foi feito em Figma, com participação do cliente ao longo do processo, o que permitiu validar cada tela antes do desenvolvimento.

O resultado

A entrega reuniu logo e identidade visual, website responsivo, ferramenta de simulação de seguro e ilustrações personalizadas — um conjunto em que a marca comunica confiança e o site faz o trabalho de explicar a categoria antes de vender.

O que este case ensina sobre produto desconhecido

  • Quando não há demanda, o site ensina antes de vender. A primeira conversão é entender que o problema existe.
  • Segmente pelo que o cliente é, não pelo que você vende. "Dono de lancha" é uma identidade; "cliente de seguro náutico" não é.
  • Preço escondido trava categoria nova. Sem uma estimativa acessível, o interessado desiste antes de virar contato.
  • Ilustração própria diferencia mais que fotografia comprada. Principalmente num setor onde todos compram as mesmas imagens.

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